Núcleo da Ordem da Cavalaria

Sobre as espadas e a Espada

Núcleo da Ordem da Cavalaria
Escrito por Núcleo da Ordem da Cavalaria em 1 de outubro de 2020
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Posto do Sacristão

Por Luigi Gomes, professor, pesquisador e escritor.

Na hora que antecede o amanhecer

Bem vindo ao Posto do Sacristão, uma coluna mensal sobre liturgia, do Núcleo de Cavalaria da ULJD.

Não se engane: Este é um ensaio acadêmico, muito bem fundamentado. Mas eu estou realmente enfastiado da secura pro forma que a estilística da prosa científica me exige. Por isso tomei (e vou continuar tomando) a liberdade de assumir um tom ensaístico, didático, informal em alguma medida, nestes textos para a ULJD.

Acredito que isso nos trará duas vantagens: A primeira, facilita o entendimento do tema para os mais desacostumados (que obviamente não é o seu caso, meu querido leitor); a segunda, me permite ser mais direto nas ilustrações argumentativas e exemplos que vou usar, além de me dar espaço para expor a minha opinião com clareza, sem tentar te enganar como se fosse alguma verdade objetiva.

Entendido isto, agradeço pela sua consideração em dedicar seu tempo, e vamos já começar. Ah, um aviso importante: No final do texto eu incluí um glossário, onde você pode encontrar alguns dos termos mais específicos ou difíceis que estão por aí espalhados por essa bagunça. Aproveite a leitura!


Hoje vamos falar do objeto litúrgico mais famoso da Ordem da Cavalaria. Como você já deve estar prevendo, o assunto não é tão simples quanto parece.

A Espada de um Cavaleiro é um acessório pessoal que faz parte da paramentação, durante as convocações de um priorado. Ela deve ser utilizada pelos Oficiais, e também pelos Cavaleiros ativos e seniores portadores deste grau caso estejam disponíveis em número suficiente. A única exceção é aquele que ocupa o cargo de Ilustre Comendador, cuja espada por direito, a Espada da Nobreza, é um objeto específico para a liturgia. Por este motivo, e razões que trataremos mais à frente, ela repousa sobre o Altar.

Levante-se, Sir

O uso de espadas é um costume que instiga o imaginário das pessoas a respeito da Cavalaria, não só na Ordem DeMolay, mas em relação a todas as instituições que as utilizam. Contudo, ao contrário do que possa parecer à primeira ideia sobre isso, as espadas não têm serventia marcial. Ou seja, a utililidade destes objetos é apenas cerimonial.

Armas cerimoniais são objetos que fazem parte de um costume muito interessante que surgiu na sociedade europeia, ainda na Idade Média. São armas decorativas, quase sempre modificadas para não ferir, fabricadas de materiais exuberantes mas impráticos. De fato, assim como, nos dias de hoje, bandas (e não faixas, como você aprendeu mês passado) presidenciais servem como símbolos visíveis da posição e do poder de um chefe de estado; no passado monárquico do Ocidente, haviam outros símbolos que ocupavam este papel. O mais famoso talvez seja a coroa, mas quase todas os principados, reinos e impérios tinham, também, Espadas-de-Estado.

A Joyeuse [chamada em português de “Joiosa”] é a espada dos reis francos. Seu nome é uma palavra arcaica que significa “alegre” ou “sortuda”. As lendas traçam sua origem desde Carlos Magno. Repare que a bainha é revestida de lises de ouro sobre a madeira (em heráldica diz-se “semeada”). Atualmente, ela está em exibição no Museu do Louvre.

Essas espadas especiais são criadas especialmente para impressionar, obras de arte feitas de metais preciosos, porém delicados e ineficientes para o combate. Outras, como é o caso da Joiosa, são relíquias de um tempo anterior à consolidação das tradições. De todo modo, a percepção desses objetos como símbolo de poder sobrepõe seu uso possível como arma.

Este é o retrato de coroação do rei Luís 14, pintado por Hiacynthe Rigaud em 1701. Aqui, junto com os outros objetos da regalia francesa, sua majestade traz a Joiosa à cintura. Clássico dos livros escolares.

As Espadas-de-Estado eram utilizadas durante solenidades importantes como coroações ou feriados nacionais. Além disso, também eram vistas em ocasiões especiais como a transformação de um plebeu em novo nobre.

Este é o marquês de Londonderry, segurando a Sword of State do Reino da Inglaterra, num retrato pintado para a coroação do rei Edward VII. Repare que ele traz a jarreteira na perna.

Até mesmo no curto espaço de tempo em que existiu o Império do Brasil, nós também tivemos uma Espada-de-Estado. Ela faz parte da regalia composta por diversos símbolos do poder imperial, que hoje se encontram no Museu da cidade de Petrópolis, no RJ.

Nesta pintura de François-René Moreaux, vemos a coroação do jovem Pedro II, como Imperador do Brasil, trazendo a Espada-de-Estado à cintura. A cerimônia aconteceu no Paço Imperial, em julho de 1841, presidida por dom Manuel de Araújo, bispo do Rio de Janeiro e conde de Irajá. Note que ele está rodeado por cavaleiros de diversas ordens, principalmente a do Cruzeiro (com a banda azul celeste), e a da Rosa (com a banda rosada). Esta pintura ornamentou a Sala do Trono até o fim do império, em novembro de 1889.

Aqui em nosso reino tropical, além das costumeiras ocasiões solenes o imperador costumava utilizar a regalia imperial para presidir sessões do nosso parlamento, uma destinação incomum nos outros reinos. Entretanto isso servia para reforçar o simbolismo daqueles objetos, que eram constantemente vistos durante essas demonstrações de poder constituído.

Já nesta pintura, que você provavelmente conhece, Pedro Américo retrata o imperador diante do parlamento, vestindo a regalia imperial brasileira. Repare que os cavaleiros e damas da Ordem do Cruzeiro ficam acima, por conta da maior preeminência sobre os cavaleiros da Ordem da Rosa, que estão embaixo. Note que, além da banda de Cavaleiro do Cruzeiro, ele usa uma faixa verdadeira na cintura, que faz as vezes de cinto.

O uso de espadas cerimoniais aparece até mesmo na literatura folclórica medieval. Ao contrário do que as pessoas comumente pensam, o rei Arthur não retirou Excalibur de uma pedra. Na verdade, são duas espadas separadas. Excalibur, sua espada de combate, foi recebida como um presente da rainha de Avalon; enquanto Clarent, a espada dos reis, que foi retirada da pedra, era utilizada apenas para tocar a cabeça de um escolhido, que se torna a partir daquele momento, um Cavaleiro da Távola.

Esta é uma iluminura encontrada nos códices manuscritos do conjunto de textos de Chrétien de Troyes. Neste caso, a miniatura ilustra um duelo entre sir Lancelot (com o escudo branco e três bandas vermelhas) e um desafiante normando. O cavaleiro da Távola está vencendo, como as manchas de sangue podem evidenciar.

Afora o momento da acolada de novos Cavaleiros da Ordem, Clarent repousava sem ser utilizada, até ser roubada por sir Mordred, o cavaleiro traidor, que se considerava mais digno do trono que seu pai. Maculando, assim, com o sangue, a pura lâmina da espada sem mancha.

Com o tempo, espadas cerimoniais de menor importância do que as Espadas-de-Estado começaram a ser entregues para nobres proeminentes, e membros de ordens reais e imperiais de cavalaria, como símbolos visíveis de poder, semelhante às bandas.

Por isso, quando a Idade Moderna começou a substituir os costumes monárquicos medievais, os exércitos dos novos países absorveram a tradição de utilizar espadas cerimoniais.

Aqui vemos uma turma de oficiais de cavalaria do Exército Brasileiro (repare nos detalhes diferentes do uniforme). Eles recebem espadas ligeiramente curvadas (que se chamam “sabres”), adequadas ao combate montado.

Aqui no Brasil, o Exército mantém a tradição de conferir espadas cerimoniais aos oficiais militares que se formam, numa prática semelhante à concessão de armes d’honneur [“armas de honra”], que Napoleão criou para condecorar seus militares no século 18, e que se popularizou por todo o Ocidente moderno.

Os cadetes da Aman recebem espadins. Repare que, nesta imagem, estão executando o segundo tempo do movimento de apresentar a arma, diante da Bandeira do Brasil.

No contexto do nosso Exército, ainda existem espadins (espadas em miniatura) que são dados aos cadetes e devolvidos na formatura, quando as espadas propriamente ditas são recebidas. Há os “sabres” (que na verdade são punhais mais longos) conferidos a alunos excepcionais da Escola de Sargentos das Armas, numa tradição criada mais recentemente, já no século 20. E existem também as espadas que são dadas aos generais, pelas mãos do próprio presidente.

Esta é uma espada entregue a um oficial do Exército, quando ele se torna um general. Um fato curioso, que descobri durante esta pesquisa: o conjunto de espadas que meu Priorado utiliza é composto de réplicas exatas dessa espada, mas em metal prateado.

De todo modo, as espadas cerimoniais não são armas de ofício (pois foram substituídas pelas armas de fogo, por uma questão de eficiência). Você precisará estar presente em solenidades, como formaturas, posses ou funerais, para vê-las em uso.

Os alunos da ESA recebem o sabre ao final do curso, numa cerimônia em que se abrem os portões históricos da escola. A arma é a réplica da utilizada durante a Segunda Guerra Mundial por um herói expedicionário brasileiro chamado Max Filho, que era sargento.

Não foi diferente com as forças armadas dos Estados Unidos, que também absorveram as tradições cerimoniais europeias, criando suas próprias particularidades em cima disso, de acordo com seu contexto cultural.

Por esse motivo, quando os altos graus do Rito de York americano se consolidaram, do século 18 para o 19, comportamentos e costumes militares foram importados para o ambiente ritualístico maçônico – do mesmo modo como aconteceu um século antes, na França, quando os comportamentos e costumes dos nobres foram importados dessa mesma maneira, para os ritos maçônicos da corrente continental.

Da porta para dentro

Na indumentária dos cavaleiros maçônicos americanos, em vez de túnica, capa e barrete, encontramos o “jaquetão”, que é um uniforme militar moderno, além do chapeau emplumado.

Os cavaleiros maçons jurisdicionados ao Grande Acampamento utilizam vestes como estas até hoje. Repare que alguns vestem bandas honoríficas. Aqui no Brasil, os cavaleiros adotaram um quepe, em detrimento do chapeau.

De todo modo, sejam americanos ou europeus, os cavaleiros maçônicos sempre usam espadas, como parte obrigatória da liturgia. E foi assim que esses objetos cerimoniais caíram nas mãos dos cavaleiros da Ordem DeMolay, naquele finalzinho da década de 1940.

As espadas dos cavaleiros do Rito de York americano possuem detalhes em metal prateado, para os cavaleiros. Já para os comandantes e ex-comandantes, os detalhes vêm em metal dourado, como nesta espada da imagem.

No contexto da Ordem da Cavalaria americana, o uso de espadas é opcional, como dizem as instruções do ritual original, assim como o da Faixa de Cavaleiro (que você já sabe que é uma Banda de Cavaleiro). Mas a ritualística de um priorado fica tão impressionante, quando elas são utilizadas, que sempre foi muito difícil encontrar algum grupo que não quisesse utilizá-las na totalidade das convocações.

O próprio ritual americano previa um manual à parte, previsto para ensinar as movimentações litúrgicas com a espada, derivadas do uso dos Mariners (fuzileiros navais americanos, uma força armada separada das outras três. Também é deles que herdamos as capas rubro-negras utilizadas nos Capítulos).

Mesmo sendo opcionais, o ritual determina que o Ilustre Comendador entregue uma espada para cada nobre cavaleiro que se levanta depois de ser intitulado pela acolada, no mesmo momento em que ele recebe o talabarte simbólico.

Aqui no Brasil, por outro lado, as espadas já chegaram como parte obrigatória do paramento de um oficial da Cavalaria DeMolay, assim como as alfaias verdes; ou como a faixa de cavaleiro para os membros ativos ou seniores.

A chegada da Cavalaria ao Brasil, no ano de 1993, tem muitos detalhes interessantes, mas para nosso objeto de estudo do dia de hoje, é importante rememorar a figura do tio Ney Coelho Soares, à época Lugar-Tenente (algo como vice-presidente) do Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 para o REAA, localizado em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Profundamente envolvido com a temática militar brasileira (ele chegou à patente de Coronel), tio Ney ficou apaixonado pela Cavalaria da Ordem DeMolay, auxiliando a primeira turma de cavaleiros brasileiros na organização do grande evento que foi a primeira investidura; até o nível de confeccionar, ele mesmo, vários dos materiais ritualísticos.

Movimentações adaptadas da regulamentação militar brasileira foram largamente utilizadas no contexto da Ordem DeMolay brasileira, segundo materiais editados pelos Supremos Conselhos.

Foi por iniciativa do tio Ney que os cavaleiros adotaram as movimentações utilizadas pelo Exército Brasileiro no uso de espadas. Movimentos com que estamos (ou deveríamos estar) acostumados no cotidiano dos Priorados de hoje, como portar, saudar e apresentar, entre outros. Naquele distante agosto de 93, o irmão Adriano Marreiros, tenente do EB, foi quem ensinou esse aspecto da tradição militar para a turma de DeMolays.

Foram mais de 150 rapazes investidos naquela manhã de sábado, quatro de setembro de 1993, enquanto os maiores de 19 anos receberam o grau do Ébano, pela tarde.

Nesta fotografia, você pode ver os oficiais da Marinha do Brasil executando o movimento de “apresentar espada” diante do Pavilhão Nacional, exatamente como você faz nas convocações.

A Espada da Nobreza

À parte das espadas indistintas, que são usadas por todo mundo, existe em cada priorado uma espada especial: a Espada da Nobreza. Ela repousa em cima da Bíblia Sagrada, sendo utilizada apenas durante a Cerimônia de Investidura, na acolada dos Servidores que se tornam Cavaleiros eleitos.

O Serviço de Instalação, que é a cerimônia pública em que um novo Ilustre Comendador é instalado para uma nova gestão do priorado, traz a explicação para este objeto, na forma de uma advertência para o oficial-chefe:

“Durante os meses vindouros, Ilustre Comendador Cavaleiro, sua espada irá permanecer onde atualmente repousa, sobre o Altar da Cavalaria, (…). Isto posto, eu o conclamo a evitar que qualquer homem indigno do título de Cavaleiro possa sentir o peso desta espada, quando for empunhada por sua mão. (…)”

De forma que, como se fosse uma “espada-de-estado” de cada priorado, a Espada da Nobreza não existe para ser utilizada como arma, mas como objeto transformador de pessoas comuns em cavaleiros, como acontecia no ciclo arthuriano, e também nas cortes medievais que existiram de verdade.

Obrigado pelo interesse de ler até aqui. Abaixo deixei um glossário para os termos estrangeiros ou mais rebuscados que não me impedi de utilizar; e depois tem algumas das obras que serviram como fontes para este estudo, as quais você pode utilizar para aprofundar suas leituras.

Autor: Luigi Gomes
Com colaborações de Adalberto Martins, Alessandro Silva, Bruno Gushiken, Claudio Magioli, Eder Manccini, Eloi Junior, Izautônio Junior, Jayme Piloni, Lucas Lopes, Max Hager, Moisés Chaves, Pat King, Renan Rodrigues, Rogers Ferreira, Tarsis Valentim, Thiago Esterce, Victor Pessamiglio e Victória de Paula.

Glossário

Acolada – momento litúrgico em que um escudeiro ajoelhado é tocado pela espada de seu suserano, para em seguida se levantar transformado em cavaleiro. Uma das cerimônias mais solenes da Idade Média.

Alfaia – palavra que significa “enfeite de vestir”; de onde vem a palavra “alfaiate”, quem fabrica alfaias. No contexto maçônico e das organizações relacionadas, é um colar de tecido em forma de V.

Armes d’honneur– armas cerimoniais que são entregues como troféus para militares franceses em ocasiões honoríficas.

Baldric – termo em inglês para “talabarte”. Nome utilizado pelo Ritual da Cavalaria original para a Faixa de Cavaleiro.

Banda – tira de tecido decorativa que é utilizada da mesma forma que um talabarte, para ocasiões cerimoniais.

Barrete – espécie de chapéu de tecido, utilizado com muitas formas diferentes, conforme o contexto. Os barretes utilizados pelos cavaleiros maçônicos são adaptações dos que são utilizados por sacerdotes do alto escalão do clero da Igreja.

Chapeau [pronuncia-se /chapô/] – chapéu de duas pontas, de origem francesa, muito importante na simbologia militar ocidental. No contexto da cavalaria maçônica, é usado com plumas.

Clarent [pronuncia-se /Clarã/] – espada cerimonial que o rei Arthur retirou da pedra, e utilizava na investidura de novos cavaleiros da Ordem da Távola Redonda. Anos mais tarde, foi roubada por seu filho Mordred, e maculada por atos indignos.

Ciclo arthuriano – conjunto de obras literárias medievais, modernas e contemporâneas sobre as lendas a respeito do rei Arthur e outros personagens folclóricos da Bretanha.

Ensaio – texto acadêmico interpretativo e opinativo, geralmente concentrado em problematizar uma questão. Embora seja submetido ao mesmo rigor de fontes e metodologia que os textos objetivos, o ensaio tem uma liberdade maior para abraçar um viés mais pessoal e informal.

Espada-de-Estado – símbolo do poder de um monarca sobre seu reino. Equivalente medieval de uma banda presidencial.

Espadim – espada de proporções menores.

Excalibur – Espada famosa que o rei Arthur recebeu como presente da rainha de Avalon.

Falerística – ramo da Ciência Histórica que cuida de estudar, explicar e produzir as condecorações, medalhas, uniformes e fardas.

Heráldica – ramo da Ciência Histórica que cuida de estudar, explicar e produzir as cotas de armas e embrasonamentos. Foi a ciência fundante do sistema de identificações moderno, com registros de identidades e cadastros individuais.

Iluminura – tipo especial de ilustração feita à mão pelos artistas nos livros medievais, com a utilização de materiais preciosos.

Indumentária – uma “muda de roupa”, conjunto completo de vestes. Nesse caso, um eufemismo para “modos de se vestir”.

Imprático – o que é atrapalhado, difícil, ineficiente. O contrário de “prático”.

Jaquetão – paletó militar com duas fileiras de botões e ombreiras.

Jarreteira – tira de couro com fivela, utilizada para primeiros socorros ou para prender roupas íntimas medievais. Com letra maiúscula, é uma metonímia que faz referência à maior e mais poderosa ordem de cavalaria da Bretanha. A atual grã-mestra da Ordem da Jarreteira é a rainha Elizabeth II.

Litúrgico – o que é referente a uma liturgia. Rituais são liturgias, julgamentos são liturgias, formaturas são liturgias, posses civis, funerais, e assim por diante.

Marcial – o que é relativo ao combate.

Nobiliárquico – o que é relativo aos nobres.

Outorgar – conferir a alguém o direito de utilizar algo.

Paramentação – conjunto de vestimentas, adornos e objetos que fazem parte da indumentária utilizada nas reuniões, convocações e outros eventos da Ordem DeMolay, ou de qualquer outra organização ou movimento que envolva algum tipo de liturgia.

Parlamento – casa legislativa, como o nosso Senado ou a Câmara Federal.

Pro forma – expressão em latim que significa “pelas aparências”, “apenas para seguir a regra”.

Quepe – chapéu militar semelhante ao utilizado por policiais.

Regalia – conjunto de objetos, vestes e joias solenes que representam uma posição de poder. É um tipo muito especial de paramentação associada às solenidades em geral.

Sabre – Espada de combate montado, com a lâmina curva de um gume só, com uma empunhadura que protege a mão de quem o utiliza.

Servidor – DeMolay Ativo que foi recebido pelo priorado, mas não é um cavaleiro.

Suserano – o nobre superior a quem o vassalo está submetido. Um duque é vassalo do rei, mas pode ser suserano de vários condes. Utilizando um exemplo da nossa estrutura, um MCR é suserano dos MCs de sua oficialaria; mas ele mesmo é vassalo de seu MCE. Nem todos os MCRs são vassalos de um MCE, só os de seu estado.

Talabarte – Corrião diagonal que vai sobre o ombro direito, que os cavaleiros usavam para carregar espadas.

Vassalo – pessoa que está submetida a um suserano.

Indicações de Leitura

Fontes Gerais

– História das Vestes: escrito por Blanche Payne, que foi uma estudiosa americana que se dedicou a registrar e comparar os contextos socioculturais relacionados ao modo de se vestir. É uma obra bastante abrangente sobre essas questões, do final da década de 60. Usei como fonte para a evolução dos hábitos de moda. Infelizmente, acho que não possui tradução para o português.

– A Enciclopédia Britânica. Usei o verbete Nobreza e Cavalaria, escrito pelo historiador Hugh Chisholm.

– Lancelot, o cavaleiro da carroça: escrito pelo trovador medieval Chrétien de Troyes em 1175 (sim, no fim do século 12), uma das obras mais importantes do ciclo arthuriano. Eu uso um volume coletado da Penguin Books, que tem mais obras dele; mas sei que tem traduzido pela editora Polar. A foto da iluminura é de um pergaminho de velo arquivado na Biblioteca Nacional da Inglaterra.

– A morte de Arthur: compilado por sir Thomas Malory, um cavaleiro que combateu na Guerra das Rosas, na passagem do século 14 para o 15. É uma das três grandes obras do ciclo arthuriano, apresentando diversos temas importantes, como a traição de Mordred e o envolvimento com as duas espadas diferentes. Em português, é publicado pela Martins Fontes.

– Guia Ilustrado de Uniformes de Todo o Mundo: escrito por Rinaldo d’Ami, um ilustrador italiano. Utilizei o volume 1, que se chama “Uniformes das Nações Europeias”. Não encontrei em português.

– O livro de ouro da Mitologia: de Thomas Bulfinch. Muito famoso aqui no Brasil, predominantemente voltado ás obras helênicas e romanas, mas traz histórias de outras mitologias no final, como o ciclo gálico. Fala das lendas sobre o rei Carlos Magno empunhando a Joiosa, ao lado de dom Rolando e diversos outros cavaleiros famosos. Em português, é publicado pela Ediouro.

– Heráldica: escrito pelo importante heraldista brasileiro Luís Poliano, em 1986. Usei ele como fonte dos usos republicanos da heráldica brasileira, como alguns prêmios que são outorgados aos nossos militares.

– Glossário de termos usados na falerística: escrito por Alexander Laslo. É um livro sobre o estudo e o colecionismo de insígnias, condecorações, medalhas e afins. Um pouco mais puxado para o viés inglês. Também indisponível em português.

– Ordens e Condecorações: escrito pela historiadora francesa Claude du Courtial, que por sua vez é um pouco mais puxada para o viés francês. Também indisponível em português.

– As Ordens Honoríficas no Sistema de Recompensas Nacional: uma conferência proferida em 2013 pelo falerista português José de Bragança, que é uma das maiores autoridades no assunto para a corrente ibérica. Trata da questão da concentração das ordens portuguesas na mão do chefe da república.

– Musée du Louvre: portal oficial do museu mais famoso do mundo. Lá você encontra coisas relacionadas à história mundial como um todo, mas eles são especialmente (e obviamente) mais aprofundados em questões francesas.

– Musée de l’Armée: portal do museu do exército francês. Na coleção deles, além de espadas de honra, também encontramos todo tipo de armamento honorífico, como granadas de ouro para heróis de artilharia, machados, lanças, mosquetes e todo tipo de objeto, até mesmo instrumentos musicais de bandas marciais.

– Exército Brasileiro: através do portal eb.mil.br, acessei muitas dezenas de páginas, artigos sobre as regulamentações das escolas, diversas notícias das formaturas e questões relacionadas às condecorações.

– Manual de Campanha – Ordem Unida: também do EB, contém as movimentações previstas para todos os tipos de armas. Incluindo, também, as de espada, que são muito mais complexas que as utilizadas pela nossa Cavalaria; tanto quantitativamente, quanto qualitativamente.

Fontes da ODM

– Ritual da Ordem da Cavalaria Americano: Fonte para os termos originais usados pela Ordem lá nos Estados Unidos. Usei a edição de 1978.

– Ritual da Ordem da Cavalaria Brasileiro: Fonte para as questões oficiais desse tema. Usei a 3ª edição, mais recente publicada pelo SCODRFB.

– DeMolay International: Portal americano da mais alta jurisdição mundial da ODM.

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