Núcleo da Ordem da Cavalaria

Sobre a Faixa de Cavaleiro

Núcleo da Ordem da Cavalaria
Escrito por Núcleo da Ordem da Cavalaria em 28 de agosto de 2020
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Por Luigi Gomes, professor, pesquisador e escritor;

Com contribuições de Adalberto Martins, Antônio Sabença, Bruno Freitas, Bruno Gushiken, Eder Manccini, Leandro Baptista, Lucas Lopes, Lucas Melo, Moisés Chaves, Pedro Andruccioli, Renan Rodrigues e Victor Pessamiglio.

Na hora que antecede o amanhecer

Não se engane: Este é um ensaio acadêmico, muito bem fundamentado. Mas eu estou realmente enfastiado da secura pro forma que a estilística da prosa científica me exige. Por isso tomei (e vou continuar tomando) a liberdade de assumir um tom ensaístico, didático, informal em alguma medida, nestes textos para a ULJD. Acredito que isso nos trará duas vantagens: A primeira, facilita o entendimento do tema para os mais desacostumados (que obviamente não é o seu caso, meu querido leitor); a segunda, me permite ser mais direto nas ilustrações argumentativas e exemplos que vou usar, além de me dar espaço para expor a minha opinião com clareza, sem tentar te enganar como se fosse alguma verdade objetiva.
Entendido isso, agradeço pela sua consideração em dedicar um precioso tempo, e vamos já começar.

Ah, um aviso importante: No final do texto eu incluí um glossário, onde você pode encontrar alguns dos termos mais específicos ou difíceis que estão por aí espalhados por essa bagunça.
Aproveite a leitura!


A Faixa de Cavaleiro é um adorno vestível que faz parte da paramentação, durante as convocações de um priorado. Ela deve ser utilizada pelos Cavaleiros ativos e também pelos seniores portadores deste grau. A única exceção são aqueles que ocupam cargos de oficiais, que substituem a faixa por uma alfaia, aquele colar verde de tecido em forma de contrasna (uma letra V).

Cavaleiros ativos e seniores cavaleiros utilizam-na

No ritual americano, a Faixa de Cavaleiro é chamada de baldric. Apesar de entendimentos equívocos historicamente difundidos pela prática aqui nas terras brasileiras, esse termo encontra sua tradução mais acertada no termo português “talabarte”. Um talabarte é uma correia de couro, como um cinto, que é atravessada diagonalmente pelo tronco de uma pessoa, apoiando-se no ombro direito.

O talabarte e a banda.

Nos tempos em que se usavam espadas, a roupa era muito diferente do que usamos hoje em dia. Os homens usavam camisões largos e os calções eram amarrados ao corpo com cordas. Para carregar a espada, era preciso utilizar uma peça a mais. Além disso, as espadas verdadeiras impediriam a utilização de um cinto comum. Primeiro porque a anatomia do cinto tiraria o cabo da espada do raio de giro do braço para o saque; segundo, porque o peso da arma feita de aço desbalancearia o cinto, fazendo com que ele saisse do lugar – um fato que deve ter acontecido muitas vezes com você ou seus amigos, no seu priorado.

Um talabarte.

Assim, o talabarte balanceia o peso da espada, transferindo-o para o ombro, além de garantir que a arma fique na altura certa do alcance da destra, para ser sacada. Tão necessária quando um coldre para um revólver (que, afinal, não se coloca no bolso da calça).

Por isso, o baldric mencionado no ritual da Cavalaria é o seu talabarte, cobrindo o flanco esquerdo do cavaleiro, lugar onde ele embainha a sua espada. Entretanto, você deve ter percebido que o nosso talabarte não é um corrião de couro, mas uma tira decorada de pano delicado. Vamos examinar qual o motivo disto.

Paralelamente ao uso marcial do talabarte (que pode ser encontrado largamente nas obras de ficção de época ou mesmo nos livros e filmes de fantasia), os nobres começaram a desenvolver e utilizar indumentárias diferentes, conforme a ocasião. Um exemplo pertinente (embora não seja, com toda certeza, o mais antigo) é o ciclo arthuriano, que já no século 12 separa:

  • os trajes de guerra (com armaduras pesadas e o talabarte);
  • dos trajes de caça (com armaduras leves e o talabarte);
  • dos trajes de torneio (com túnicas chamativas e armas esportivas, como a lança de justa);
  • e, principalmente, dos trajes cerimoniais de festas e solenidades (com túnicas elegantes, mais discretas e desarmado).

Infelizmente, nossa falta de estudo, aliada com os devaneios estéticos da produção cultural, criou uma grande confusão no entendimento dos trajes. E frequentemente imaginamos cavaleiros vestidos de armadura sentados a uma mesa de banquete, entre outras bizarrices. Contudo, ter uma noção correta dessa crescente separação de roupas que foi aparecendo entre os nobres (isso porque os plebeus tinham só uma roupa mesmo, pra todos os dias – duas quando muito!) é importante para entendermos o contexto que fez surgir nosso adorno litúrgico.

Pois bem. Nesse cenário em que os nobres começavam a separar a roupa de guerrear, da roupa de festejar, os suseranos começaram a conferir adereços aos seus vassalos, de acordo com as regras da Heráldica. Assim apareceram as honrarias.

Em Heráldica, uma honraria é um tipo especial de “marca” que o escudo de alguém pode receber. Essas marcas, que também podem ser chamadas de “peças”, são formas muito simples, e fazem referência a grandes feitos que seu portador possa ter realizado. Entre as honrarias mais importantes estão: o Chefe, que é uma tira horizontal colocada na parte de cima do escudo, ou a Cruz (que é auto-explicativa). Outra honraria muito famosa é a Banda.

Quando um suserano outorgava uma banda ao escudo de alguém, o felizardo seria reconhecido por suas virtudes de cavaleiro. É um mecanismo social semelhante às estrelas que são adicionadas aos uniformes das seleções de futebol a cada vitória nas competições mundiais.

O famosíssimo escudo heráldico de Jacques de Molay, último Mestre do Templo, é embrasonado como “De blau, uma banda or”. Provavelmente reminiscente de sua vassalagem à casa de Valois, o escudo azul traz a honraria dourada que repete a paleta de cores do reino da França.

Tradicionalmente, a banda (que heraldicamente chamamos de bend, em francês arcaico, tanto na corrente franca quanto na inglesa – que são as majoritárias) é uma tira diagonal, que vai do canto superior esquerdo (de quem vê o escudo), descendo até o canto inferior direito, e ocupando uma largura referente a um terço do espaço total. Perceba que é a mesma disposição que tem o paramento de um Nobre Cavaleiro da ODM, quando o vemos de frente.

No famoso filme de animação Anastasia, de 1997, a imperatriz Maria, mãe do tsar Nicolau II da Rússia, aparece utilizando a banda da Ordem de Santo André, a mais prestigiada ordem de cavalaria imperial russa.

Pois bem, no começo do surgimento desse costume, a banda era utilizada no lugar do talabarte, uma tira de tecido ornamentada, que o nobre utilizava por cima de seu traje cerimonial. Um adorno masculino, assim como as mulheres usam brincos e pulseiras, e os homens nos dias de hoje usam correntes mais grossas de metal, por exemplo.

Essas especificidades na ornamentação vão mudando de maneira dinâmica – quando eu era criança, por exemplo, os pais colocavam os filhos rapazes pra fora de casa, caso voltassem com uma argola de prata na orelha. Hoje, isso é largamente aceito. É o modo como os costumes socioculturais vão se transformando, sobretudo na nossa sociedade ocidental.

Pintura a óleo sobre bronze de um Cavaleiro da Jarreteira usando a banda sobre uma veste não-cerimonial, em 1720.

Com o tempo, a banda foi ganhando cada vez mais prestigio na sociedade europeia. As bandas de algumas ordens de cavalaria muito prestigiadas eram como atestados de nobreza (e/ou de poder). Todos tinham medo de olhar feio pra um homem andando pelas ruas de Londres com a fita azul de membro da Jarreteira.

O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta usando a fita do grau de Comendador da Ordem do Mérito, ao lado do general Juarez Cunha, que usa a banda e a estrela prateada de Grande Oficial desta mesma ordem. A Ordem do Mérito é a versão renomeada da Ordem de São Bento de Avis, uma das ordens tradicionais da cavalaria imperial brasileira que foram repaginadas para a República.

Quando a Idade Média terminou, a passagem do mundo para a Idade Moderna viu a secularização da sociedade ocidental, que trouxe junto consigo a organização dos Estados Nacionais – os países que nós conhecemos hoje, com leis, poderes civis, forças armadas organizadas.

Seu tio Michel Temer, utilizando a banda presidencial brasileira, que nossas leis chamam de “faixa”

Foi nessa época, o século 16, em que os exércitos e as repúblicas começaram a copiar as bandas das ordens nobiliárquicas, criando suas próprias versões para as condecorações da plebe empoderada. Foi assim que surgiram bandas integradas às fardas militares, e também as faixas presidenciais.

Um exemplo muito interessante da transição para o mundo secular pode ser exemplificado pelas imagens acima.
O reino português unificou as três ordens reais de cavalaria, conferindo uma banda de três cores (Ordem de São Bento, Ordem de São Tiago e Ordem de Cristo) a quem tivesse sido investido como cavaleiro das três. À esquerda encontramos nosso conhecido Dom Pedro, quando era apenas o Duque de Bragança. E à direita, o almirante Américo Thomaz, presidente de Portugal no começo do século 20. Como não há mais nobreza, a Banda das Três
Ordens é o símbolo da presidência portuguesa, e foi a base para a invenção da banda presidencial brasileira (por isso ela tem três fitas), que por sua vez se difundiu por toda a América Latina.

Já no século 20, elas foram caindo cada vez mais no uso cotidiano do senso comum, aparecendo como premiações de concursos de beleza, destaques de bailes, formaturas, uniformes de escoteiros, camisas de equipes esportivas, etc etc etc.

As bandas, as coroas e outros símbolos são devorados pelo processo de desconstrução cultural, e logo depois são apropriados pela cultura sob a forma de simulacros. Em vez de uma única princesa verdadeira, que todos os súditos veneram, temos dúzias de modelos que se parecem com princesas, que não precisamos venerar, mas acabamos venerando de um ou outro modo.

Esse processo foi o mesmo que aconteceu com outros símbolos e objetos da realeza, como a coroa e o cetro, por exemplo. O que antes era privilégio das classes mais altas, acabou sendo absorvido pelo povão, despido da aura de solenidade.

Adentrando os portais

No final da década de 40, a Ordem DeMolay passava por transformações no seu modelo administrativo e pedagógico. Começava a emergir o entendimento, por parte da instituição encabeçada pelo tio Land, de que era preciso estratificar as atividades, para que todos os meninos pudessem desenvolver plenamente seus anseios e capacidades.

Para preencher essa lacuna do interesse dos DeMolays ativos mais maduros, surgiu a nossa querida Ordem Sagrada dos Soldados Companheiros de Jacques de Molay, que chamamos de “Cavalaria” pra economizar. Essa nova organização filiada à Ordem DeMolay seria organizada em corpos formados por mais de um Capítulo.

Nesse contexto, os membros dessa nova ordem interna passaram a utilizar (apenas na Cavalaria) uma banda, assim como os cavaleiros das ordens “verdadeiras” utilizam. Entretanto, ao invés de usar o termo correto, sash, a banda de um dos nossos Nobres Cavaleiros é chamada pelo nosso ritual de baldric. Provavelmente, o motivo disso é para ajudar a criar o clima medievalizante que o Ritual de Cavaleiro pretende, quando utiliza certos termos.

Desde a implementação da Cavalaria no Brasil, em 1994, nossas traduções vernaculares (de todas as correntes que regularam a Ordem no país) adotam o termo “faixa” para o baldric de cavaleiro. Isso é duplamente incorreto: primeiro, porque você já sabe o que são a banda e o talabarte; segundo por uma incongruência heráldica.

Já existe outra peça de vestuário formal associada ao termo “faixa”, e ela é uma das honrarias heráldicas, assim como a banda, o chefe e a cruz, que você conheceu acima. Segundo a tradição, uma Faixa é uma tira horizontal de pano, atravessada no ventre de quem a carrega. Heraldicamente, fica posicionada no meio do escudo, como a faixa branca no meio da bandeira/escudo da Áustria. Você provavelmente já viu noivos ou formandos utilizando faixas em conjuntos de smoking, em festas de gala.

Isto é uma faixa. Pare de confundir as coisas.

Chamar o nosso baldric de “faixa” contribui para embolar, ainda mais, o dilema que já tínhamos entre a banda e o talabarte. Apesar disso, não podemos culpabilizar nossos tradutores originais: a sociedade ocidental embaralha as noções da nobreza com as ideias da plebe o tempo todo. Uma prova disso é que nós chamamos oficialmente, na legislação da República brasileira, a banda presidencial de “faixa” (ao contrário de nossos irmãos portugueses). É um problema muito semelhante à confusão entre brasões e cotas de armas (que eu tenho certeza absoluta que você sabe muito bem distinguir, não é?).

Outro equívoco muito comum, aqui no Brasil, é chamá-la de “Faixa de Servidor”. Esse costume ficou muito difundido porque diversas autoridades e jurisdições produziram materiais oficiais referindo-se a ela deste modo, ensinando os membros a falar assim.

O equívoco acontece porque o termo “servidor” se refere especificamente a um DeMolay que foi aceito para transpor os portais do priorado, mas ainda não é um cavaleiro (como o ritual explica muito claramente em alguns momentos da Cerimônia de Investidura). No ritual original, o termo é aspirant, e ele se refere a um período de tempo ainda maior, que ia desde a petição para entrada na ordem, seu processo de análise e aprovação, até o dia efetivo da iniciação do menino a este grau, quando o ritual o chama de serving brother ou brethren. Esse é o motivo pelo qual alguns cavaleiros brasileiros têm o costume de chamar a petição da cavalaria de “Súplica”.

Por não ser um cavaleiro, o servidor não está intitulado a utilizar a faixa. Ele só deve recebê-la sobre os ombros após a acolada, que é um momento especial que acontece durante essa cerimônia, em que o jovem é nomeado como um cavaleiro, e passa a ser conhecido por “Sir Fulano”. De forma que é, claramente, uma Faixa de Cavaleiro (Knighthood Baldric, como ela é chamada quando referida pelo DeMolay International).

Para concluirmos, uma última confusão em relação ao uso da Faixa de Cavaleiro é a absoluta impossibilidade de se utilizá-la invertida, ou seja, no ombro esquerdo até o flanco direito. Na tradição heráldica, essa disposição é chamada de Barra, ou contrabanda, por ser uma banda invertida. Como a banda representa as qualidades honradas de um cavaleiro virtuoso, a barra representa desonra.

Naqueles tempos, um suserano riscava com uma barra o escudo e as roupas de um nobre que fosse condenado. Embora sua condição sanguínea não pudesse ser apagada, a barra era uma marca social para que todos tivesse conhecimento da condenação imposta. Esse costume é a origem da representação gráfica de proibições ou negações com um símbolo cortado, como as placas de “proibido estacionar”.

A exceção a essa regra costuma vir acompanhada de um deboche implícito, ou do desejo de provocar o questionamento, como no caso da Jarreteira, ou mesmo da nossa querida Grã-Cruz. Mas isso é história pra outro dia.

Obrigado pelo interesse de ler até aqui. Abaixo deixei um glossário para os termos estrangeiros ou mais rebuscados que não me impedi de utilizar; e depois tem algumas das obras que utilizei como fontes para este estudo, que você pode utilizar para aprofundar suas leituras.


Glossário

Acolada – momento litúrgico em que um escudeiro ajoelhado é tocado pela espada de seu suserano, para em seguida se levantar transformado em cavaleiro. Uma das cerimônias mais solenes da Idade Média.
Aspirant – designação americana para um DeMolay Ativo que busca ser aceito por um priorado, durante o tempo que compreende sua indicação, sindicância e escrutínio para este corpo.
Baldric – termo em inglês para “talabarte”. Nome utilizado pelo Ritual da Cavalaria original para a Faixa de Cavaleiro.
Banda – tira de tecido decorativa que é utilizada da mesma forma que um talabarte, para ocasiões cerimoniais.
Barra – o contrário da banda. Faixa de desonra.
Bend – termo em francês arcaico para “banda” heráldica.
Bretanha – região histórica e cultural que abrange as Ilhas Britânicas (Escócia, Gales, Inglaterra e Irlanda) e uma parte continental da França. Antigo domínio romano onde surgiu a cultura sincrética entre o cristianismo e o folclore céltico.
Chefe – tira de tecido decorativa que é utilizada na testa, como fazem certos lutadores orientais ou personagens de cinema americano de guerra.
Ciclo arthuriano – conjunto de obras literárias medievais, modernas e contemporâneas sobre as lendas a respeito do Rei Arthur e outros personagens folclóricos da Bretanha.
Corrião – Correia larga e grossa, em geral de couro. Grafado como “correão”, no português europeu
Ensaio – texto acadêmico interpretativo e opinativo, geralmente concentrado em problematizar uma questão. Embora seja submetido ao mesmo rigor de fontes e metodologia que os textos objetivos, o ensaio tem uma liberdade maior para abraçar um viés mais pessoal
e informal.
Falerística – ramo da Ciência Histórica que cuida de estudar, explicar e produzir as condecorações e medalhas.
Heráldica – ramo da Ciência Histórica que cuida de estudar, explicar e produzir as cotas de armas e embrasonamentos. Foi a ciência fundante do sistema de identificações moderno, com registros de identidades e cadastros individuais.
Incongruência – algo que não está congruente, que não está correto, que não faz sentido.
Indumentária – uma “muda de roupa”, conjunto completo de vestes. Nesse caso, um eufemismo para “modos de se vestir”.
Jarreteira – tira de couro com fivela, utilizada para primeiros socorros ou para prender roupas íntimas medievais. Com letra maiúscula, é um eufemismo que faz referência à maior e mais poderosa ordem de cavalaria da Bretanha. A atual grã-mestra da Ordem da Jarreteira é a
rainha Elizabeth II.
Justa – esporte medieval que é praticado a cavalo. Dois cavaleiros montados, portando lanças enormes de madeira, investem um contra o outro na tentativa de derrubar o oponente primeiro.
Litúrgico – o que é referente a uma liturgia – um conjunto de elementos que compõem uma prática formalizada mais ou menos sistemática. Rituais são liturgias, julgamentos são liturgias, formaturas são liturgias, posses civis, funerais, e assim por diante.
Marcial – o que é relativo ao combate.
Nobiliárquico – o que é relativo aos nobres.
Outorgar – conferir a alguém o direito de utilizar algo.
Pro forma – expressão em latim que significa “pelas aparências”, “apenas para seguir a regra”.
Sash – Tira de tecido utilizada diagonalmente sobre o ombro direito. Termo correto utilizado para designar as faixas presidenciais e adornos honoríficos nobres, militares e civis.
Secularização – processo de transformações sociais, culturais e políticas que começou na Idade Média, em que os costumes, os saberes, a ciência, a política e o governo foram saindo do controle do catolicismo e da Igreja.
Serving Brother – designação de um “Irmão Servidor” no ritual original. DeMolay Ativo que foi recebido pelo priorado, mas não é um cavaleiro.
Sir Knight – designação de um “Nobre Cavaleiro” no ritual original. DeMolay Ativo que foi intitulado pelo Ilustre Comendador e recebeu a Espada da Nobreza.
Suserano – o nobre superior a quem o vassalo está submetido. Um duque é vassalo do rei, mas pode ser suserano de vários condes. Utilizando um exemplo da nossa estrutura, um MCR é suserano dos MCs de sua oficialaria; mas ele mesmo é vassalo de seu MCE. Nem todos os MCRs são vassalos de um MCE, só os de seu estado.
Talabarte – Corrião diagonal que vai sobre o ombro direito, que os cavaleiros usavam para carregar espadas.
Vassalo – pessoa que está submetida a um suserano.
Vernacular – algo que está no idioma comum de uma terra. No Brasil, é vernacular tudo que estiver em português brasileiro. Já nos Estados Unidos, é vernacular o que estiver em inglês americano.

Indicações de Leitura

Fontes Gerais

História das Vestes: escrito por Blanche Payne, que foi uma estudiosa americana que se dedicou a registrar e comparar os contextos socioculturais relacionados ao modo de se vestir.
É uma obra bastante abrangente sobre essas questões, do final da década de 60. Usei como fonte para a evolução dos hábitos de moda que estão na primeira parte do texto. Infelizmente, acho que não possui tradução para o português.

A roupa e a moda: uma história concisa: escrito pelo historiador inglês James Laver, também dedicado a essas questões de vestuário, mas de maneira mais acessível. Tem em português pela editora Companhia das Letras.

A Enciclopédia Britânica. Usei o verbete Nobreza e Cavalaria, escrito pelo historiador Hug Chisholm.

Lancelot, o cavaleiro da carroça: escrito pelo trovador medieval Chrétien de Troyes em 1175 (sim, no fim do século 12), uma das obras mais importantes do ciclo arthuriano. Eu uso um volume coletado da Penguin Books, que tem mais obras dele; mas sei que tem traduzido pela editora Polar.

Guia Ilustrado de Uniformes de Todo o Mundo: escrito por Rinaldo d’Ami, um ilustrador italiano. Utilizei o volume 1, que se chama “Uniformes das Nações Europeias”. Não encontrei em português.

Heráldica: escrito pelo importante heraldista brasileiro Luís Poliano, em 1986. Usei ele como fonte dos usos republicanos da heráldica brasileira, como a Ordem do Mérito que é outorgada aos nossos militares.

Guia Completo da Heráldica: escrito por sir Arthur Davies, um dos maiores heraldistas da humanidade, membro do Colégio de Armas do Império Britânico. Obra importantíssima sobre o tema, mas também indisponível em português.

A Nobilíssima Ordem da Jarreteira: 650 anos: escrito pela dupla Peter Begent e Hubert Chesshyre, sobre a ordem de cavalaria mais famosa do mundo (talvez empatada com a Ordem do Templo). Indisponível em português.

Glossário de termos usados na falerística: escrito por Alexander Laslo. É um livro sobre o estudo e o colecionismo de insígnias, condecorações, medalhas e afins. Um pouco mais puxado para o viés inglês. Também indisponível em português.

Ordens e Condecorações: escrito pela historiadora francesa Claude du Courtial, que por sua vez é um pouco mais puxada para o viés francês. Também indisponível em português.

As Ordens Honoríficas no Sistema de Recompensas Nacional: uma conferência proferida em 2013 pelo falerista português José de Bragança, que é uma das maiores autoridades no assunto para a corrente ibérica. Trata da questão da concentração das ordens portuguesas na mão do chefe da república.

Decreto n.° 2299, de 21 de dezembro de 1910: promulgado pelo presidente Hermes da Fonseca, instituindo a forma e o uso da faixa presidencial da República Brasileira.

A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica: do filósofo alemão Walter Benjamin. É um tratado muito complexo, que estudei durante a universidade. Nesta obra, Benjamin descreve como a cultura de consumo moderna/contemporânea dissolve a sacralidade dos símbolos ao transformá-los em produto e a eles atribuir valor. Assim, some o pudor de
reproduzi-los, comprá-los, vendê-los, profaná-los. Citei o conceito no texto porque é esse processo de destruição da aura do símbolo que tira a Bandeira do Brasil do pedestal solene, e a coloca pendurada na varanda dos prédios em dia de jogo. É um assunto grave, e provavelmente no futuro trataremos disso ainda mais.

Fontes da ODM

Ritual da Ordem da Cavalaria Americano: Fonte para os termos originais usados pela Ordem lá nos Estados Unidos. Usei a edição de 1978.

Ritual da Ordem da Cavalaria Brasileiro: Fonte para as questões oficiais desse tema. Usei a 3ª edição, mais recente publicada pelo SCODRFB.

Portal da Jurisdição DeMolay do Estado do Texas: Eles publicaram alguns excertos do material emitido pelo tio Land no final da década de 40, para convencer as oficialarias americanas a abrir priorados de Cavalaria.

Autor: Luigi Gomes

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